dezembro 10, 2004

Interrupção voluntária do ímpeto reformista

O governo PSD/CDS-PP tomou o poder em 2002 porque os portugueses resolveram entregá-lo a essa insignificância animal, mesmo no ramo dos invertebrados, que dá pelo nome de Durão Barroso. Se havia dúvidas quanto à inanidade política da amiba, elas desvanceram-se ontem quando foi tornado público o seu sentido de voto na questão da aquisição da Gás de Portugal pela EDP que, originalmente, tinha sido decidida por ele próprio. Diz bem da sua seriedade quando à frente da governação do país.

Durão Barroso mentiu aos portugueses nas legislativas de forma inaudita na nossa vida democrática (e quem sabe mesmo na outra). Alardeou espírito reformista e as reformas lá vieram, senão vejamos:

• o choque fiscal foi o que foi, pagamos mais impostos e acabaram com os benefícios fiscais;
• o desemprego disparou, consequência da enxurrada diária de falências de empresas que varre o país de lés a lés;
• os fundos de pensões dos portugueses estão a evaporar-se, destruindo-se o notável trabalho de Ferro Rodrigues aquando da sua estadia no Ministério do Trabalho e da Segurança Social;
• o défice real público cresceu quase 50%, mesmo com a alienação de património pelo Estado em condições altamente lesivas para todos nós;
• a produtividade, soube-se, tinha pouco ou nada a haver com a rigidez do código de trabalho, tendo no entanto este sido obsessivamente violado por Bagão Félix no sentido de extorquir direitos aos trabalhadores portugueses;
• a liberalização do preço dos combustíveis fez disparar os preços;
• os serviços e transportes públicos estão pela hora da morte;
• o país diverge economicamente da Europa como há muito se não via;
• a crise de confiança na Justiça nunca foi tão grande;
• o fosso entre a sociedade civil e a classe política nunca foi tão largo...

Enfim, poderia continuar a descrição do belo legado barrosista mas por hoje chega.

O Presidente da República, felizmente, deteve o tsunami de estrume que começou a cobrir o país há dois anos e meio. Jorge Sampaio, creio, limitou-se afinal a perceber que o ímpeto reformista deste governo se resumia apenas a uma grande reforma: a de Mira Amaral.

Agradecemos assim ao Presidente a interrupção voluntária do ímpeto reformista que transformava a face do país. Afinal de contas somos pela vida, pelas vidas, pelas nossas vidas.

Publicado por ns em dezembro 10, 2004 06:36 PM
Comentários

O filme de terror felizmente chegou ao fim.
A gora só farão figura de corpo presente.

Afixado por: mfc em dezembro 10, 2004 09:46 PM