Quem me conheça os gostos, sabe que a minha relação com a música do Zé Mário não é fácil, sequer linear. A crueza da sua amargura sempre me pareceu quase pornográfica, no mínimo desconcertante. O seu último disco representou uma aposta que fiz para me obrigar a aproximar do génio do artista. Porque, reconhecendo-lhe o inegável mérito - se é que tenho legitimidade para o fazer -, partia do princípio de que o equívoco só podia ser meu.
Tinha razão (uma pessoa habitua-se a isto...). O disco do Zé Mário, como o disco do Fausto são o final de que precisava para começar.
