abril 21, 2004

Argumentatis Tontis Amigis II

Dear J, já que insistes:

1- não disse que o disco do Carlos do Carmo é mau. Só que não é sublime, é apenas razoável;

2- não disse que o Camané não haveria de pôr o público a cantar (por acaso até acho que não porá, porque a sua vivência do fado não tem nada a ver com a de Carlos do Carmo, mas enfim... só o tempo o dirá), disse sim que duvidava que Camané se pusesse a dar festinhas para homenagear a mulher, e a família, e os seus 40 anos de carreira, e o diabo a quatro;

3- saltamos este ok?

4- o que se passa é que a emoção que o Carlos do Carmo quis pôr naquela festa pura e simplesmente não existe ali, não está lá... por muito que lhe custe. Isso transparece para o disco, nota-se que há ali emoção por ouvir o fadista, mas não emoção por ouvir fado. E o que sobra são algumas versões com arranjos que nos piores casos perdem muito em relação aos originais e, nos melhores, perdem pouco. O exemplo de "Um Homem Na Cidade" é paradigmático dessa perda.

5- quando Carlos do Carmo quis dar à coisa um ar menos balofo chamou Carlos Bica para o palco e interpretou com ele "Teu Nome Lisboa" (salvo erro). O quê que resulta? Uma coisa fria... há ali um contra-baixista estupendo, uma voz soberba, os dois, sozinhos, brilham, mas juntos parece que se anulam, parece que nem se tocam, vivem uma existência paralela ao longo de toda a canção, que não contagia ninguem...

Obviamente isto é uma apreciação meramente pessoal. Tu achaste-o sublime, eu achei-o razoável... e um pouco masturbatório demais... mais c'est la vie mon cher réverend!

E boa sorte para o FCP, mais loguinho...

Publicado por ns em abril 21, 2004 06:43 PM
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