abril 21, 2004

EXPRESSÕES INCOMPREENSÍVEIS

Não compreendo, juro que não compreendo, a expressão "isso não interessa nem ao menino Jesus". Não entendo.

Dou de barato a parte relativa ao "menino". Mesmo aceitando que já na manjedoura o futuro carpinteiro tinha questões existenciais pertinentes a colocar ("sempre notei no choro dele algo de diferente, uma estranha entoação na voz", disse um dia Maria, entre cigarros, ao seu biógrafo, Marcos, e "notava que ele mamava de uma forma sôfrega", confessou), duvido que as colocasse de forma premente - e quase aposto que nunca foram mais longe que o peito da mãe.

Mas pensemos nele enquanto homem: até aos trinta nunca fez mais nada senão aplainar tábuas. Ok, houve um dia que ele desapareceu templos afora, mas para quê? Para falar com os teológos.

Portanto: aplainar tábuas e falar com teólogos. Também se sabe que foi à procura do primo João - para quê? Para falar com ele.

E passeou por todo o lado. A pé. Mesmo assim, duvido que tivesse um grande gosto estético na escolha das sandálias. E apesar do primo o ter banhado no rio Jordão, não se lhe conhecem grandes declarações acerca de toalhas e sabonetes. Nem sequer uma água de colónia por que ele não fazia a barba.

Portanto: aplainar tábuas, falar com teólogos, andar a pé, raptar pescadores.
Ok: gostava de lírios e de putos. Também o Michael Jackson. Curiosamente, não consta que algum deles tivesse bibilioteca.

Resumamos novamente: aplainar tábuas, falar com teólogos, andar a pé, raptar pescadores para falar com eles, lírios e falar com putos.

No fundo: palrar, palrar, palrar.
São isto interesses, tendo em conta que ele viveu trinta e três anos?
Não me parece.

Portanto, na minha humilde opinião, parece-me que há muita gente por aí a usar uma expressão sem nexo. Está na altura de pormos termo a isto.

Publicado por jb em abril 21, 2004 04:39 PM
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