abril 20, 2004

MEU CARO NIHILISTA

Agradeço-lhe, sinceramente, o telefonema de segunda. Peço-lhe desculpa por estar incontactável - terá por certo havido uma sobrecarga de mal-estar na linha, mal-estar esse do qual, como saberá, não me podemos imputar a mínima culpa. Nada em mim (como saberá) é interior, movo-me "como a palha levada pelo vento" (Salmos 1-2), se me encontrava na toca tal dever-se-ia, certamente, ao facto da toca se ter apresentado à minha frente.
Há, meu caro nihilista cujo falso nihilismo por vezes me comove (estive vai não vai para não lhe dizer, sabendo - como sei - que o amigo não é dado a especulações da ordem do afecto), há, dizia, na falsamente leve forma com que o senhor procurou abeirar-se de mim para saber do estado geral da minha humanidade, um profundo acreditar na redenção da mísera gente que, por motivos a que somos certamente alheios (bem como a RTP), entra na nossa vida.

Folgo em saber que tudo correu pelo melhor, e que as coisas se resolveram de forma adulta e sincera. Folgo em saber que se encontra bem e que faz parte das suas pretensões encontrarmo-nos para um acirrado diálogo alcoólico, que certamente nos permitirá exsudar as nossas míseras (que não miseráveis) convulsões.

Do seu amigo não tão nihilista mas assaz mais pateta

JB

Publicado por jb em abril 20, 2004 01:54 PM