Parece sempre tão pouco o que se possa escrever sobre Camané. Porque ele depois canta e inevitávelmente sentimo-nos minúsculos perante aquela voz.
Mas não é só a voz, nem é só a verdade com que todas as palavras saem da sua boca.
É a renovação do fado é feita por dentro, sem recurso a concessões tenebrosas a novas tendências. É a escolha perfeita dos companheiros de viagem: José Manuel Neto, Carlos Manuel Proença e Carlos Bica são grandes músicos.
E José Mário Branco (desculpem a insistência) sempre presente, nas músicas que assina, no seu trabalho de direcção musical, e na plateia, lá bem no fundo, para ouvir, não para ser visto...
Foi sublime o momento em que se ouviu "Sopram ventos adversos" (bem podia ser um hino da Laranja, tenho de tratar disso).
Foram de uma força demolidora os encores (não é possível ficar indiferente a ouvi-lo cantar "Saudades trago comigo").
Foi bonito vê-lo no início da segunda parte sentado, à mesa, como se de repente nos tivessemos todos transportado para uma casa de fados.
A RTP gravou e poderemos ver (ou rever) um destes dias.
1ª Parte
Mais um fado no fado
Fado Penélope
Marcha do Bairro Alto
Filosofias
Quadras
Memórias de um chapéu
Ela tinha uma amiga
Noite apressada
Por um acaso
Fado sagitário
Ponto de encontro
2ª parte
Triste sorte
Fado da sina
Esquina de rua
Escada sem corrimão
Complicadissima teia
Instrumental
Sopram ventos adversos
Maria II
Eu não me entendo
A cantar é que te deixas levar
Mote
Se ao menos houvesse um dia
1º Encore
Estranho fulgor
Saudades trago comigo
2º Encore
Senhora do Livramento
A minha rua
Também eu estive nesse noite no São Luiz e me rendi à voz de Camané.É impossivel ouvir a sua voz e não querer de seguida,viajar pela nossa
Alma a descobrir lágrimas e sorrisos.É um Homem que se torna imenso ao soltar a voz,é a voz da Melancolia...