É antiga a minha tristeza
a das primeiras chuvas
(hoje apetecia-me dizer-te Panero, o poema que te deixei na mesinha de cabeceira enquanto tomava banho. Nunca to li em voz alta. E pensei no livro de São João da Cruz que comprei para te oferecer e não fui a tempo de te entregar. Sentado na cama a vestir-me, de repente na rádio começa o "City Sickness" - desligo o malévolo aparelho. Há noite ali dentro e eu quero que a rádio me traga o dia.
Guardo a roupa que deixaste no meu quarto. Guardo-a, para que vê-la não doa, na mala que o meu pai me ofereceu - há tantos, tantos, anos. Olho para ela antes de a depositar. Sei que nunca a virás buscar. Mas eu gostaria que...
Penso agora nas cartas que te escrevi e nunca pude enviar. Nas tua mãos tremendo. E numa frase que um dia me disseram: "sinto-me uma doença destruidora". Penso em como o tempo não cura.)
Publicado por jb em março 7, 2004 03:52 PM