Não posso prometer-te nada. Os caixilhos certos, o óleo na dobradiça das palavras, a têmpera brandura de um fogão domingueiro, manhãs de ácer - não conheço nada disto.
Nem as toalhas que limpam às crianças a pele da inocência que cai dia-a-dia. Nunca lhes direi a verdade, sabe-lo bem. Há pontes que se afundam na memória como vulcões que engolem a lava - esta é a minha herança.
Não posso prometer-te nada.
Mas levo-te com insuspeito prazer ao cinema, se mo permitires. Apenas por rotina, coisadiária (como os paternais beijos que se guardam da infância). E não te contarei nunca o fim.
Publicado por jb em fevereiro 22, 2004 03:41 AM