Inquieta-me a tua palavra, e inquieta-me a força que emprestaste e emprestas à música dos outros, teus irmãos.
Vivo fascinado pelo arrepio de Redondo Vocábulo, pela falsa simplicidade de Maio Maduro Maio.
Assombra-me o teu Fado Penélope onde juntas os heróicos coros de mestre Lopes Graça à mestria singular da voz de Carlos do Carmo.
Escancaro (sempre) a boca de espanto ao ouvir Janita acompanhado por pés de mesa em Olho de Fogo.
Sigo o entusiasmo com que acarinhaste essa revolução da música tradicional portuguesa chamada Gaiteiros de Lisboa.
Encontro a marca discreta que deixaste no turbilhão de força e ideias chamado Amélia Muge e rendo-me à subtileza do teu génio.
Apaixona-me, tanto como a ti, a voz e os novos caminhos que mostraste ao fado com Camané.
Enternece-me a inteligente doçura de Bom Dia Benjamim, que nos lembra que não se fala aos miúdos com a voz anasalada e estridente de quem pensa que eles não nos percebem.
Atiram-me por terra as Armas do Amor que fabricaste para o Sérgio Godinho.
Se me perguntarem Que Força é Essa? sou forçado a responder que não é nenhuma comparada com a tua.
Se fosse preciso, tinhamos ainda toda a tua obra, em nome próprio. Como se fosse preciso...
Publicado por ps em outubro 28, 2003 12:55 AM